2009/11/17

Anna Karenine

Sempre tivera queda para o bovarismo. Permanentemente aborrecida com a realidade, identificava-se com as personagens dos livros que lia e dos filmes que via. Era uma coisa um bocadinho presunçosa, reconhecia. Isto acontecia-lhe desde sempre. Em miúda, sentia-se igual à Mariana que saíra da cabeça da Alice Vieira. A identificação era a tal ponto intensa que lhe imitava os gestos. Comprava cadernetas de cromos e jurava a si própria que quando tivesse uma filha lhe haveria de oferecer uma parede branca para desenhar camelos com garrafas. Vida fora, sempre se fora identificando com as protagonistas que com ela se cruzavam. A identificação mais intensa ocorrera, porém, há pouco tempo com Anna Karenine. Mulher. Apaixona-se por Vronsky. Deixa o marido e o filho. Aceita a condenação da sociedade pela sua opção. No fim, o conde Vronsky, cansado de tanto amor, aborrecido de tanto fatalismo, dá-lhe um valente pontapé no cu. Em detrimento da languidez morna das alcovas, escolhe o regimento. Um homem gosta de ser homem, pois claro. Guerrear. Lutar. Gritar em cima de um cavalo. Desferir golpes mortais no inimigo. O que é uma mulher comparada com um campo de batalha? Nada. Ela, pobre coitada, desesperada, atira-se para a linha do comboio.

Lera o livro, pela primeira vez, há já alguns anos. E, na altura, lera-o como um outro romance qualquer. Lera-o como lera os livros do Eça. Para ela, Anna não passava de uma heroína romântica, levemente patética, demasiado dramática, semelhante às outras, lusas, que tanto lhe agradavam. Eduarda. Amélia. Luísa. Genoveva, era, de longe, a sua preferida: má, caprichosa, calculista, impiedosa, egoísta. Há tempos, entusiasmada com os russos, caíra na asneira de voltar ao livro de Tolstoi. Tiro e queda. Desta vez, identificara-se totalmente com a pobre heroína. Achou-se mortificada. Por coisas da sua vida que ela lá sabia e que, com a devida distância e o devido respeito, que era muito, tinham certa semelhança com a da bela Anna. Só que ela não se atiraria para a linha do comboio. Chegavam-lhe os repentes suicidas que tivera por volta dos vinte anos. Por isso, para se aliviar, punha-se a desdenhar quem não a quisera. Fazia como aquela raposa da fábula que desdenhara o cacho de uvas rubis, cheias, maduras por as não poder alcançar: pensava no tamanho da pila dele e na calvície, certa, que tomaria conta do seu crânio daqui a quatro ou cinco anos. Era uma técnica rude, mas muito eficaz.

2009/11/16

Funeral

Que lindo foi o funeral do guarda-redes deprimido… Tanta gente comedidamente lacrimosa e séria. Tantas flores impecavelmente organizadas em coroas brancas e roxas. Tantos sobretudos pretos. Tanta ordem e compostura. Tanto silêncio. Se me apanhassem dentro daquele caixão havia de espantar a morte por breves instantes e dar um grito que se escutasse na lua, no inferno, do outro lado do mundo. Depois, voltava a morrer muito mais aliviadinha.

Crias

A minha filha Dá pediu-me para ir a uma biblioteca a sério. À noite trepa para a cama com o menino Nicolau e dá gargalhadinhas maravilhosas enquanto ele lhe conta as suas travessuras. O que ela gosta do Alceste e do Aniano. O meu filho mais velho, o João, que joga andebol no Benfica e diz muitas asneiras, pediu-me ajuda para escolher um livro da minha estante. Explicou-me que os livros juvenis, mesmo os que são escritos pela ministra, são uma seca. O mais pequeno, o Joaquim, comeu uma página do Monte dos Vendavais, livro que leio todos os Outonos. E bateu palminhas. Sou má esposa, má amiga, péssima jurista, razoável irmã e filha e sobrinha, mas muitíssimo boa parideira. Devo ter uns óvulos de uma qualidade extraordinária. É uma pena desperdiçá-los.

2009/11/11

Sergio Larrain


4

Aos de direita que se deixam ir na conversa dos de esquerda que, por sua vez, acham que têm o monopólio das causa nobres: no resto da Europa ser homossexual começa a ser uma coisa normal. Casam-se parlamentares, governantes, ministros. Só em Portugal não há políticos homossexuais (o Miguel Vale de Almeida não conta). Não os há de esquerda. Muito menos os há de direita. É um desconsolo. Sinal de profundo atraso e tacanhice. Em Portugal os homossexuais são todos artistas, escritores, devassos e jacobinos. Estou à espera que a modernidade nos bata também à porta e surja o primeiro político de direita homossexual. Sem medo de perder meia dúzia de votos de velhas bafientas e tias da linha de Cascais.

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Aos que querem um referendo: Os referendos não servem para impor morais e bons costumes. A Alexandra Teté e o Vaz Pato e outros exigem ser chamados a se pronunciar sobre uma decisão que compete apenas a terceiros, não interfere nas suas vidas, não comporta para eles quaisquer custos ou encargos. Era o que mais faltava...

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Aos que temem que se abra a porta à adopção: Está muito na moda ter três filhos. A maior parte das mulheres que conheço está divorciada, é infeliz ou entrega a educação do trio às empregadas brasileiras para salvar os casamentos. Ficam os meninos com as empregadas internas brasileiras enquanto os papás vão viajar, jantar fora em restaurantes de luxo e fornicar, com brandura, em hotéis de charme. Família é quem nos quer e quem cuida de nós. Independentemente do papá ter um pénis molinho e a mamã uma vagina lassa. De que serve uma vagina ausente e um pénis que não sabe nada de nós?

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Aos que dizem que a altura não é oportuna, que o governo se devia ocupar do que é importante, das finanças, da taxa de desemprego, da economia: em rigor, um governo deveria ser capaz de tratar dos tais assuntos muito solenes e importantes e, ao mesmo tempo, cuidar das coisas mais comezinhas, os direitos das pessoas e outras insignificâncias. Contudo, já se percebeu, há muito, que este nosso governo não é capaz de resolver os tais problemas prioritários. As finanças. O estado da justiça. A corrupção. Essas coisas. Mal por mal, sempre é melhor que se vá ocupando com as ditas questões menores. Não sendo capaz de cuidar do que é importante é preferível que cuide de alguma coisita.

2009/11/10

Prótese

O meu pai está sentado atrás da secretária que veio de Moçambique. Fixa o monitor do computador. Olha o seu rebanho de acções como um pastor zeloso. Todos os dias, se levanta de madrugada para consultar os mercados, as cotações, os índices. Investe em derivados. Seja lá o que isso for. Arranjou um corrector goês que lhe trata dos investimentos na bolsa indiana. Telefona-lhe com frequência. Mói o desgraçado com perguntas e pormenores. Ninguém sabe ao certo quanto dinheiro tem investido, quanto ganha, quanto perde. A minha mãe só sabe que, volta e meia, ele entra na cozinha muito alegre a pedir-lhe um beijinho. É sinal que as coisas correm bem. Cheiro-lhe a cabeça como faço aos meus filhos. Abordo o assunto que me trouxe ali. Pergunto-lhe como pretende fazer a vida negra aos novos vizinhos. Ele sorri embaraçado e pisca os olhos. Mostra a dentadura nova, uma prótese fixa, que mandou fazer na última viagem. Um trabalho muito em conta, feito com todo o cuidado e saber num dentista que fica perto do mercado de Margão, mesmo ao lado de um talho que vende carne muito fresquinha. As mulheres de sari escolhem a galinha mais gorda da capoeira e, com um golpe certeiro, o magarefe trata do assunto. Imagino o meu pai de boca muito aberta no consultório enquanto o médico lhe arranca os dentes bambos. Há pedaços de algodão ensanguentados num rim de metal. As galinhas, lá fora, soltam cacarejos de pânico assim que vislumbram o cutelo.


O meu pai faz uma careta, carrega-se de azedume, lembra-se do casal que comprou o segundo andar. “Acha bem, Ana Clara, num prédio de respeito, uma pouca-vergonha destas?” Volto a cheirar-lhe a cabeça. O casal que comprou o segundo andar do prédio dos meus pais é homossexual. Dois homens jovens e discretos. Fizeram obras no apartamento e encheram-no de móveis do ikea e objectos vintage. No prédio dos meus pais já só moram viúvos e avós. Anda o prédio num corrupio. A D. Fernanda, a porteira, tem a língua seca, cheia de gretas, de tanto contar aos moradores as novidades do novo casal. Como se chamam, o que fazem, quantos anos têm, o tamanho da cama que levaram para o quarto maior do segundo direito. Mal soube dos novos vizinhos, o meu pai rosnou, entre dentes, que havia de lhes fazer a vida negra nas reuniões de condomínio. Nesse preciso instante, conta a minha mãe, a prótese feita pelo dentista em Margão ganhou vida, tornou-se assustadora, os dentes incharam-lhe na boca, muito pretos e ameaçadores, os caninos cresceram afiados, rutilantes. “Acho uma indecência. Nem sou capaz de imaginar uma indecência maior”, respondo-lhe. Beijo-o no rosto e deixo-o entregue aos seus pequenos investimentos. Há batalhas que já não merecem ser travadas.

2009/11/04

Liberdade doméstica

Olivia Arthur, Teerão

Dias Felizes

Alguns colegas de liceu e de universidade começam a ser nomeados secretários de estado e chefes de gabinete. Um deles, o A., era o meu melhor amigo do liceu. Chamava-me Aninhas. Tratava-o por Rasputine. Passámos horas ao telefone a gozar com os nossos colegas, a apontar-lhes defeitos, a achincalhar os que chegavam na camioneta das oito. Os pobres vinham ainda ramelosos, estremunhados de sono, de Camarate, Unhos, Catujal. Traziam para a escola os hábitos e as modas dos subúrbios mais feios do concelho de Loures. Havia neles uma parolice ingénua, um certo deslumbramento pela periferia de primeira classe - era a nossa -, que nos espantava e deliciava. A tentação era grande. Criados na pacatez de um bairro de classe média, apesar da educação esforçada dos nossos pais, tínhamos aprendido pouco sobre o respeito pelos outros. Éramos parvos, mas invencíveis. Os melhores alunos. Os preferidos dos professores. Pertencíamos ao clube de teatro. Eu militava no PSR, queria fazer bem aos outros, mas só se outros, claro está, fizessem parte das minorias politicamente adoptáveis. O A. não se interessava por política.
Gozávamos com os nossos colegas de forma ruim e impiedosa. A Maria Alice, gorda e suína, a permanente sebosa sempre colada ao cabelo. A Céu, que queria ser actriz de teatro e, certa vez, ousou fazer um monólogo de Beckett. Não resistiu à primeira meia hora e caiu pelo monte abaixo. A Bé do Ó, esférica também, que odiava a nossa petulância e as nossas notas. Agora tem uma loja de utilidades domésticas. A Carla Lélé, feiíssima, muito burra, unhas roídas até ao sabugo, cuspia perdigotos pelos buracos dos dentes, mas insistia em ser modelo. Apareceu uma tarde no eterno feminino da Teresa Guilherme. De cá para lá, muito tola, passeando um vestido pingão. O rosto severo, fatal. Os lábios vermelhos, o cabelo ripado. Um travesti. Um travesti medonho. Pobre Carla. Nenhum carro pararia na rua Luciano Cordeiro para a levar. Nós, ao telefone, a rir à gargalhada. Mais uns anos e, desconfio, o A., será nomeado ministro de qualquer coisa. Triste, a passagem do tempo.

2009/11/03

Adolfo

Uma certa irritação trepou-me pelo corpo acima assim que vi a cinta amarela. O José Eduardo Agualusa exortava as qualidades do novo escritor, acutilante e irónico. A acutilância é uma maçada. E a ironia já não é o que era. Tornou-se banal. Toda a gente quer ser irónica. Até eu, que aqui confesso a miséria e a derrota, em vez de me ocupar da tristeza que me rói as entranhas, volta e meia, venho armar-me aos cucos, fazer gracinhas, mostrar que sou hábil na virulência e no sarcasmo. Um horror. O livro traz também, em destaque, uma frase do Valter Hugo Mãe. Tão pomposa quanto vazia: A nova literatura portuguesa passa obrigatoriamente por aqui. Perante tantos elogios, amordacei as desconfianças e sacudi a irritação do corpo, que se espalhou pelos escaparates da livraria como uma poalha muito fina. Comprei o livro. Ao primeiro diálogo, estava na quinta página, abri as narinas e bufei. Resfoleguei como uma vaca. Indiana e sagrada. Soltei um palavrão. Bastou a inadequação de uma palavra, posta na boca de uma imigrante ilegal, para acicatar a minha intolerância. Porventura estarei a ser injusta, mas o livro, parece-me, não vale grande coisa. Os críticos devem adorar.

2009/11/02

Adelaide

Adelaide estacionou o carro em Avintes. Tirou o menino do carro. Despiu-lhe a bata aos quadradinhos azuis e deu-lhe de comer. Um pacotinho de leite com chocolate e um pastel de nata. Disse-lhe assim: Vamos ver o rio. É bonito antes de anoitecer. Caminharam de mãos dadas durante uns minutos por uma vereda de terra batida. O menino cantarolou a canção de um anúncio da televisão. O rio apareceu-lhes de repente. Ficaram parados a olhar o casario da outra margem. Escutaram o suspiro breve do dia que terminava. Quando a noite chegou, Adelaide agarrou-se ao filho e atirou-se ao Douro.

(não me sai da cabeça a mulher que se atirou ao rio com o filho.)

2009/10/30

Chá de Domingo

Olivia Arthur/Azerbeijão

Finados

Fiz um bolo de nozes para a minha sogra oferecer, pelo dia de finados, à sua comadre Maria. É tradição lá da terra. A minha sogra já não consegue cozinhar e a Fátinha, empregada de uma vida, fugiu-lhe de um dia para o outro com um namorado sapateiro. Quando me casei gostava do meu marido e desdenhava a sua aldeia, de casas feias, e a família, conservadora. Passado tanto tempo desdenho o marido e gosto da aldeia e da família. Adiante. A comadre da minha sogra vive do outro lado da estrada, tem cinco filhas de olhos claros, muito bonitas e altas, de cabelos aos cachos, parecem patrícias romanas, um filho polícia, o Artur, muitos netos e netas, uma casa que parece um castelo, sempre cheia de gente e de bichos. Um dos netos estuda medicina na República Checa. É o orgulho da família. Quando o menino chega pelas férias preparam-lhe caldos de borrego e compram-lhe bifinhos do lombo a vinte e cinco euros o quilo. O neto mais novo nasceu anão, mas, assegurou-me, certa vez, a D. Maria, numa conversa longa junto à capoeira, é muito bonitinho, uma inteligência, sem cabeça gigante, o corpo minúsculo nas proporções certas, benza-o deus. O malandreco aprendeu num instantinho a tabuada dos sete… , assegurou-me ela, ainda incrédula, enquanto atirava talos de couve e papas de pão às galinhas. À nossa volta, o quintal florescia cheio de vida e musgo. Espero que a D. Maria goste do bolo de nozes e me elogie os dotes culinários. Preciso desesperadamente que me afaguem o ego. O problema é que a Fátinha, a que fugiu com o sapateiro, era uma doceira e peras. É didícil chegar-lhe aos calcanhares.


Amieiro

O padre Pedro fumava ontem um cigarro à porta da igreja. Estava encostado a um amieiro frondoso e usava umas calças de ganga e uma camisa branca. De repente, é costume dele, deu uma gargalhada sonora e mostrou uma fileira de dentes muito direitinhos. Alinhei a racha da saia. Limpei o bico do sapato à barriga da perna. Sorri-lhe com candura e pureza. Ele sorriu-me de volta. Depois entreguei a minha filha à catequista.

2009/10/29

Juhu Beach

Primeira vez

Melinda está no apartamento velho de Bombaim. Lara e Elaine despem a farda puída da escola. Desfazem as tranças negras. Melinda telefona ao marido. Combinam um passeio ao final da tarde na praia. Apanhamos um riquexó. No caminho, Lara, a mais pequena, mostra, com o indicador muito espetado, a mansão onde vive a maior estrela do cinema indiano. Tem três guardas fardados de metralhadora à porta. Um renque de palmeiras e hibiscos floridos de vermelho emoldura o sossego da estrela. Quando chegamos as meninas correm para o pai que as aguarda com maçarocas assadas. No areal há trapezistas, vendedores ambulantes, macaquinhos amestrados, freiras gordas, adivinhos, violadores da devassa ocidental, famílias inteiras que chegam ruidosas. Vendem-se cones de papel de jornal cheios de grão frito e gelados coloridos. Escuta-se um realejo de feira. Os abutres lançam sobre o areal uma sombra de morte. Ao olhar a minha prima Melinda e a sua família senti uma espécie de revelação. Deve ter sido o que os pastorinhos sentiram ao ver a tal senhora. Pareceu-me, nem sei explicar porquê, que a felicidade afinal é uma coisa muito simples. Um organismo primitivo. Uma amiba unicelular. Durante muito tempo, ainda agora, quando penso nessa tarde, nas gargalhadas das meninas, enroscando-se nas pernas do pai, dá-me um aperto no peito, uma melancolia que me sabe bem.

Segunda vez

Lembro-me de te falar ao ouvido. Vou cuidar de ti. Até seres velho. Não sei como se faz, mas vou ser imortal, como os deuses, para nunca te deixar só. Vou ter muitos filhos. Até as minhas entranhas se cansarem e apodrecerem com cheiro de limão e manchas de bolor. Vou educar essas crias cegas para serem a tua bengala e o teu amparo. Repeti as mesmas palavras vezes sem conta enquanto te embalava. Meu amor. Até que as esvaziei. Tirei-lhes o sentido. Ficaram as palavras mortas, rotas, uns fiapos de espuma, pendurados no vazio. Quando não esperava, entrei-te pelos olhos dentro. Deixei de ser invisível. Senti o corpo quente. Inchei como um balão de feira. Era um deus louco e caprichoso que me soprava para dentro. Achei, pela segunda vez na vida, que podia ser feliz.

(não sei para que serve ser mulher e não ser mãe)

2009/10/27

Outono

Presto contas à clientela: nem sempre tenho vontade de escrever. Quando isso acontece tenho ganas de vir aqui carregar no botãozinho do delete. Depois, dá-me uma fraqueza, sei lá o que é, uma cobardia, e não consigo apagar-me. Tomo um sanax, choro um bocadinho, alivia-me sempre, e começo a ronda da noite. Velo pelo sono dos meus filhos. Cheiro os mais velhos. Belisco o mais pequeno. Passo serões inteirinhos a fazer bolos de erva-doce e argolinhas fritas de canela para eles impressionarem os colegas durante o lanche. Cozo marmelos. Faço panelões de doce de abóbora e dióspiros. Leio antes de adormecer. No fundo, bem lá no fundo, sou uma perfeita fada do lar. O que é que uma mulher pode querer mais da vida?