Sou Ana de cabo a tenente/ Sou Ana de toda patente, das Índias/ Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada/ Sou Ana, obrigada/ Até amanhã, sou Ana/ Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos/ Sou Ana de Amsterdam.
2006/10/24
Pingo Doce (2)
Pingo Doce (1)
2006/10/23
Molho de soja
Supérfluo
2006/10/20
Chungking Express
2006/10/19
Mulher-paquiderme
Fêmea-tigre
2006/10/17
Expiação
2006/10/16
Unhas de porco
Volta, mi amor
2006/10/13
Corpo e alma
2006/10/12
Realeza
2006/10/11
As maminhas da Raimunda
2006/10/10
Cesariny (2)
Cesariny (1)
2006/10/09
Tóquio
2006/10/06
Encarnação
(Os sonhos, os que fazem as minhas noites, adormecem dentro de mim. Também nunca me abandonam. Entopem-me as veias.)
Amiga
2006/10/04
2006/10/03
Alma
2006/10/02
Frio
Espelho mágico
2006/09/29
Verdes Anos
2006/09/28
Amália (2)
Amália (1)
2006/09/27
Espelho mágico
2006/09/26
Índia
2006/09/25
Catitas e felizes (2)
Catitas e felizes (1)
2006/09/22
Julieta dos Espíritos
2006/09/21
Baile no Bosque
"Lisboa, sabes..."Eu sei.
É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.
Eugénio de Andrade
(gosto tanto dos Trovante.)
2006/09/20
Cipralex (3)
Cipralex (2)
2006/09/19
Cipralex (1)
2006/09/18
À janela (3)
À janela (2)
À janela (1)
2006/09/13
Cassia Angustifolia
2006/09/11
Impulso
2006/09/08
Mendiga e altiva
(Obrigado Manelinho por, ainda que contrariado, me teres emprestado o livro do Albert Cossery. Não fora tal livro e o Chico Buarque ter-me-ia tomado por uma qualquer.)
2006/09/07
Rocky Balboa
Aranhas
2006/09/04
Castidade
Valquíria (3)
2006/09/01
Valquíria (2)
Valquíria (1)
2006/08/31
Picoas
2006/08/30
2006/08/28
As cabras capadas (2)
As cabras capadas (1)
Algarve
2006/08/04
Birkenstock
Skinhead travesti
2006/08/03
Serial Killer Barreirense (3)
Debussy (2)
Carlos da Maia (1)
2006/08/02
Amsterdam
Y a des marins qui dansent
En se frottant la panse
Sur la panse des femmes
Et ils tournent et ils dansent
Comme des soleils crachés
Dans le son déchiré
D'un accordéon rance
Ils se tordent le cou
Pour mieux s'entendre rire
Jusqu'à ce que tout à coup
L'accordéon expire
Alors le geste grave
Alors le regard fier
Ils ramènent leur batave
Jusqu'en pleine lumière
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent
Et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé
Des putains d'Amsterdam
De Hambourg ou d'ailleurs
Enfin ils boivent aux dames
Qui leur donnent leur joli corps
Qui leur donnent leur vertu
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se plantent le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles
Dans le port d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam.
Jaques Brel
Alvy
You followed me. I can't believe it!
ALVY
I didn't follow you!
ANNIE
You followed me!
ALVY
Why? 'Cause I ... was walkin' along
a block behind you staring at you?
That's not following!
ANNIE
Well, what is your definition of
following?
ALVY
Following is different. I was spying.
ANNIE
Do you realize how paranoid you are?
ALVY
Paranoid? I'm looking at you. You
got your arms around another guy.
ANNIE
That is the worst kind of paranoia.
ALVY
Yeah-well, I didn't start out spying.
I-I thought I'd surprise yuh. Pick you
up after school.
ANNIE
Yeah-well, you wanted to keep the
relationship flexible, remember?
It's your phrase.
ALVY
Oh, stop it. But you were having an
affair with your college professor.
That jerk that teaches that incredible
crap course "Contemporary Crisis in
Western Man"!
ANNIE
"Existential Motifs in Russian Literature"!
You're really close.
ALVY
What's the difference? It's all mental
masturbation.
ANNIE
Oh, well, now we're finally getting to
a subject you know something about!
ALVY
Hey, don't knock masturbation! It's
sex with someone I love.
(nem mais...)
2006/08/01
Condoleezza (2)
Crocodilos do Nilo (1)
2006/07/31
Agostinho
2006/07/27
Recado
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço.
Al Berto
Agra
2006/07/26
2006/07/24
Bruxas
Licor Beirão
2006/07/21
Mirabilis
2006/07/20
Senhoras da limpeza
Senhoras do terço
2006/07/18
Mil perdões
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair
Chico Buarque, 1983
Gárgula
2006/07/17
Carioca
2006/07/14
Subúrbio
Não tem verde-azuis
Não tem frescura nem atrevimento
Lá não figura no mapa
No avesso da montanha, é labirinto
É contra-senha, é cara a tapa
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Olaria
Fala, Acari, Vigário Geral
Fala, Piedade
Casas sem cor
Ruas de pé, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança funk, o rock, forró, pagode
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Desbanca a outra
A tal que abusa
De ser tão maravilhosa
Lá não tem moças douradas
Expostas, adam nuas
Pelas quebradas teus exus
Não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas.
Chico Buarque, Carioca
2006/07/13
Vizinho (2)
Vizinho (1)
2006/07/11
Barcelona Red
2006/07/10
5 heures du matin
2006/07/07
Cigarras
Grilos
2006/07/05
Santas (7)
Santa Clara (6)
Maria Gorete (5)
2006/07/04
Havaneza (4)
Demónios (3)
Há uns sapatos que prendem a minha atenção. Têm uma plataforma gigante, de 15 a 20 centímetros. São feitos em plástico transparente e verniz preto. Uma espécie de armadura sado-masoquista sobe, depois, pela perna acima. Fazem lembrar uma prótese ou um cinto. São grotescos. Terrivelmente feios. Como as tatuagens, os piercings e as fibras sintéticas que guardam o odor axilar. Há qualquer coisa de não humano nestes sapatos. Quem os calça torna-se num demónio, numa qualquer figura horrenda e proscrita. Não sei muito bem. Deixo os sapatos prostibulares em paz. Não foi para vê-los que vim à Baixa.