2007/09/02

Martim Moniz (Buda)

Perguntei, então, ao senhor de uma das lojas se não tinha ilustrações de deuses indianos. Olhou-me com desdém como quem diz para que raio queres tu tal coisa, não te armes ao pingarelho, deves ser uma dessas tontas que renegam as heranças ancestrais. Depois de me olhar de alto a baixo, disse-me que divindades hindus não tinha, mas que, em compensação, tinha um buda. E apontou para um monstruoso buda, esférico, com ar maléfico e assustador. Saí da loja furiosa com a mana. Ainda por cima, à saída da loja, deparei com o corredor alagado de mijo. Aparentemente, uma das casas de banho do centro estava entupida e, por isso, uma água acastanhada inundava os corredores. Todavia, nenhum dos habituais frequentadores do centro parecia preocupado. Uma senhora chinesa continuou sentada à porta da sua loja, como se os dejectos dos outros não estivessem a dançar-lhe por baixo dos pés. Já eu fugi a sete pés. O cheiro a merda era de tal ordem que ainda o sinto. Mas, malograda a busca, continuo a desejar que Shiva habite a minha casa.